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  • Maria Inês Nunes Coelho

    O problema de todo esse pensamento, é não só o estado do nosso país neste momento, mas também as pessoas tão pessimistas que nos rodeiam. Eu sou estudante de arquitectura, sim é verdade, o ramo está parado no nosso país, mas se sempre foi isso que quis, porque não ingressar no que sei que me fará sentir realizada, que me fará feliz? O problema começa logo aí, antes de entrar na faculdade a pergunta era: “o que queres seguir?” ora se eu respondesse que não saberia por estar confusa, ouviria um grande discurso de “façam aquilo que gostam”, se eu respondesse, como o fiz variadissimas vezes com toda a determinação “quero arquitectura”, as pessoas responderiam-me com um tom, como se eu fosse alguém muito obtuso e não soubesse do que fala, dizendo-me “não pode ser, e depois para arranjar emprego? os anos de estudos são muito bons e depois?”, ou simplesmente “não vás para isso, coitadinha não conseguiras arranjar emprego”. Por amor de deus, “coitadinha”? Se coitadinha é seguir aquilo que gosto, se coitadinha é lutar apesar de me tentarem deitar abaixo, se é ultrapassar todos os obstáculos durante os estudos, e se coitadinha é chegar ao fim do curso não ter emprego mas viver satisfeita por ter concluido os estudos naquilo que sempre sonhei, então sim, terei muito prazer em ser “coitadinha”. Aquilo que é hoje, poderá ser diferente amanhã, quanto mais daqui a 3 anos ou 5 anos que são os anos que levam por norma uma licenciatura e um mestrado integrado, eu prefiro ver o copo meio cheio, ao invés de um copo meio vazio, e o nosso grande problema é esse mesmo, as pessoas acomodam-se demasiado, e acham que se assim está, é assim que ficará, isso é viver numa constante ilusão, estamos em crise? muito bem, também estivemos à muitos anos atrás, a história repete-se, é como um ciclo vicioso, não é por isso, portanto, uma certeza de que daqui a uns anos eu e muitos outros não consigamos um emprego, nada nos diz, no meu caso por exemplo, que daqui a uns anos o ramo de arquitectura esteja parado como está neste momento. Aí o nosso povo erra, porque nos damos por vencidos, quando ainda agora a batalha começou, não podemos achar que tudo nos cairá do céu sem esforço ou força de vontade, isso é um erro tremendo, e pior ainda é achar que tudo aquilo que se apresenta de uma maneira, não se poderá apresentar de outra, cabe-nos a nós mudarmos isso, mudarmos essa mentalidade…
    Propostas…talvez sermos realmente um pais patriótico, não só de boca, mas também de coração, isto é, darmos valor aquilo que temos e aquilo que como povo somos, encorajarmo-nos uns aos outros e trabalharmos com força, garra e dedicação naquilo que cada um de nós gosta, sem restrições e fazermos duma vez por todas aquilo que tantos apregoam, mudarmos realmente a nossa maneira de agir, mas principalmente a nossa maneira de pensar.
    Contudo, sem querer falar de muitas outras questões onde os mais velhos se referem apenas aos mais novos, deixaríamos com certeza de ser a “geração à rasca”.

    • João Luís

      A meu ver, o problema está longe de ser aquilo que acabas de descrever.

      O que dizes é verdade, muitas vezes as pessoas sofrem pressão para escolherem um curso que não querem,e acabam por seguir algo que provavelmente não é o que gostariam de fazer por mil e uma razões.

      Mas também há aqueles que mesmo assim seguem o que sonham, e acabam por se formar na área de sonho deles. Muito bem! A questão é, e depois?

      Depois têm um curso, são pessoas formadas, mas muitas delas não arranjam emprego na área de formação. Solução? ficar em casa dos pais até que alguma empresa se lembre que elas existam e os convidem formalmente a integrar os seus quadros!

      Deixando um pouco a ironia, eu penso que o problema não está na escolha do curso nem no momento “antes de entrar para a faculdade”. O problema está em depois de acabar o curso. Há aqueles que realmente conseguiram ser bem sucedidos nos cursos e arranjaram emprego; há aqueles que pronto, acabaram o curso normalmente e também se conseguiram safar. E depois há aqueles que ou se safaram pelos mínimos no seu curso, ou então aqueles que se formaram em áreas que (vamos ser sinceros) não interessam a ninguem! Muitos desses depois vão à procura de emprego e vão ouvindo “não”, “não”, “ah, depois dizemos alguma coisa… não!”. E esta situação estende-se a um ponto em que acabam por se acomodar e ficam, ao jeito da “geração à rasca”, em casa a viver à custa dos pais porque não arranjam emprego na sua área. As pessoas não se mentalizam que, hoje em dia, o curso que tiras está longe de implicar que seja essa a área em que irás trabalhar. E se não arranjam emprego nas suas áreas, é preciso arriscar e procurar noutras. O problema é a falta de vontade e de garra, algo que cada vez menos se vê nesta sociedade.

      Não quero parecer dramático nem criar nenhum conflito, simplesmente esta é a minha visão da situação.

      Quando os pais deixarem de ser capazes de aguentar os filhos em casa, a geração “não me imagino a trabalhar” passa a imaginar!!!

      • Maria Inês Nunes Coelho

        No fundo, acho que ambos temos a mesma opinião, porque ambos achamos que nós, estamos todos acostumados a receber um “não” e ficarmos quietos, dai ter dito o que disse “Aí o nosso povo erra, porque nos damos por vencidos, quando ainda agora a batalha começou, não podemos achar que tudo nos cairá do céu sem esforço ou força de vontade, isso é um erro tremendo, e pior ainda é achar que tudo aquilo que se apresenta de uma maneira, não se poderá apresentar de outra, cabe-nos a nós mudarmos isso, mudarmos essa mentalidade…” e mais, quando referi o facto de imensas pessoas nos chamarem a atenção sobre a saida do curso que queremos seguir, não foi de maneira nenhuma para insultar alguém ou colocar a questão sobre os ombros de quem o diz, apenas quis fazer ver, que como esta crise, já passamos por algumas, e agora um curso ou uma área pode estar parada, mas nada me diz que daqui a uns anos continuará, por isso porquê desistir já do que quero? se chegar ao fim e não tiver trabalho, muito bem, concordo e não disse o contrário, em fazermo-nos à vida e arriscar nem que seja numa área da qual nós não estudamos, mas até lá não concordo que muitos tirem um curso baseados na pergunta apenas do “e depois?”

        • Ana Almeida

          Concordo com tudo que foi dito nos vossos comentários, mas parece-me que a questão do texto é um pouco diferente e tem a ver precisamente com o oposto daquilo que manifestam que é a falta de atitude de muitos jovens.

          Como disseram (e muito bem) vocês não se limitam a ouvir não e a acomodarem-se. Optam por ir à luta. Mas há jovens que nem sequer estão para ouvir um não, porque são demasiado comodistas e porque acham que a vida é feita de festas e vida boa. Acho que isso faz de vocês a excepção e não na regra que são esses jovens sem objectivos. Acho que o ponto do texto é esse. Não no sentido do pessimismo generalizado a que se assiste no nosso país, mas sim a visão de que jovens sem objectivos à partida não fará grandes profissionais e profissionais motivados, capazes de inverter as tendências negativas e mudar mentalidades.

          Resta-nos pensar que felizmente ainda há quem pense de outra forma e esteja disposto a lutar para mudar o que está mal.

      • Margarida Soares

        O que são áreas que não interessam a ninguém?…

    • Joana Moreira

      Não discordo do que escreves.
      Acho que o artigo não vai muito de encontro com o que comentas-te, isso não invalida em nada a veracidade daquilo que expressas.

      Mas vou-te dizer uma coisa, sou licenciada, desde 2012, em Design de Comunicação, segui o coração, segui uma paixão, e também não ouvi vozes de terceiros quando foi hora de tomar as minhas decisões em relação ao curso.

      Mas devo-te dizer também que estamos em 2015 e eu ainda não tenho um único desconto na seg. social, ou seja, eu nunca tive um contrato. Entendes?

      Ainda não sei o que é ter um patrão.
      E sabes que tenho 25 anos e é um “pouquinho” chato quando nos habituamos a viver fora de casa, nos anos da faculdade, e depois somos “obrigados” a regressar a casa dos pais, é aborrecido (para não usar outros termos) sentires que não és independente aos 25 anos, e à uns pares de anos atras, com essa idade provavelmente os teus pais, já te tinham, trabalhavam e já compravam casa, carro…

      Por isso não se trata de te chamarem coitadinha, ou de se rirem das tuas escolhas, ou seja do que for.
      São tuas, as escolhas vão ser sempre tuas, assim como a vida irá ser sempre tua, todas as consequencias que vierem dessas escolhas também serás tu que as terás de assumir.

      Lembra-te que ninguém também irá falar com maldade, provavelmente estão apenas preocupados com o teu futuro.
      Porque, é certo como dizes que a situação económica e profissional do país não estará para sempre mal, mas lembra-te também que os anos passam, e que um dia uma entidade empregadora irá achar que és demasiado velha e sem experiência para ocupares uma qualquer função.

      De qualquer forma, acho bem que sigas o teu coração, eu também segui o meu.

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